a campainha.

 

Toca a campainha.

Ao soar desta, o suor deste.
Mas este, ali, não esperava nenhum aquele, aquela ou aquilo. Não, não esperava nada. Decidiu, então, não atender.

Toca a campainha.

Estava muito ocupado observando seu céu, seu pálido e quadrado céu. Queria continuar, da confortável horizontal, assistindo o teto, porém, o chamado da campainha foi mais forte que o peso da sólida inércia.

Espiou, para ver se não tratava-se de algum vendedor, pedinte, alguém da igreja ou qualquer outro que tomaria seu tempo apenas para tentar convencê-lo a gastar dinheiro com algo inútil.
Era uma velha, de expressão cansada e olhar perdido. Uma velha sem hora. Reconheceu-a, era uma de suas vizinhas. Pensou em não atendê-la, mas, por fim, decidiu não faltar com a educação a uma idosa.

Olá!, disse, com o sorriso mais amarelo.    . . .    Pois não?, insistiu.
Ela voltou-se para ele, lentamente. Olhou-o, vestiu seu xale e foi-se embora.

Este permaneceu imóvel por algum tempo, sem entender. Arrastou sua face cinzenta de volta para dentro. Fechou a porta às suas costas, encostou-se a ela e deslizou até o chão.

Este, nada esperava ao atender a porta, e foi justamente o que encontrou.

(enrique.aue)

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