meus domingos de hoje.

 

Meus últimos quatro ou sete dias foram domingos.
E falo a sério, penso realmente que cada um destes quatro ou sete dias foi domingo. Vieram todos com a mesma depressão e o mesmo tédio e a mesma inutilidade – pois um domingo não serve para nada; para morrer, talvez; ou nem isso – de um legítimo domingo.

Meus últimos quatro ou sete dias foram domingos.
E foram tão domingos que nem posso afirmar com certeza quantos dias foram. Nem se foram tenho eu certeza.
Os últimos dias estavam tão absolutamente convictos de que eram domingos que até mesmo o clima acreditou e fez-se mortalmente cinza, escondendo sol, lua, e de quando em vez trazendo uma fria garoa.

Um calendário poderia, talvez, provar-me que os últimos quatro ou sete dias não foram domingos. Talvez um deles, não todos! Mas, por falta de tal prova, só me resta acreditar que, de fato, os últimos quatro ou sete dias foram domingos. Ou até que os últimos quatro ou sete dias foram quatro ou sete meses. E que tais meses foram séculos de domingos. E que os últimos quatro ou sete séculos não passaram de quatro ou sete minutos.

Levanto-me procurando um relógio: meia noite e quatro – ou sete.

Droga… tenho ainda um domingo inteiro para engolir.

(enrique.aue)

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Uma resposta to “meus domingos de hoje.”

  1. Espero que eu tenha sido um pequeno e teimoso raio de lua.

    Que escapou da prisão mortalmente cinza e tenha te visitado enquanto você dormia.

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